Em operações críticas, uma interrupção raramente começa no momento em que uma máquina para, uma área é invadida ou uma ocorrência chega à central de segurança. Muitas vezes, alterações anteriores no ambiente podem indicar que algo está fora do padrão, mas acabam diluídas entre o grande volume de informações geradas diariamente. É nesse cenário que segurança física, monitoramento inteligente e análise de dados podem ajudar a reconhecer sinais relevantes e dar à equipe condições de agir antes que uma ocorrência ganhe proporção.
O Allianz Risk Barometer 2026, elaborado a partir das respostas de 3.338 especialistas em gestão de riscos de 97 países e territórios, coloca a interrupção de negócios, incluindo problemas na cadeia de suprimentos, como o terceiro principal risco empresarial no mundo. O dado dimensiona um desafio que vai além de um incidente isolado: em operações conectadas, uma ocorrência em determinado ponto pode afetar outras etapas do negócio.
O desafio é transformar sinais em decisão
Uma operação conectada produz uma quantidade crescente de informações. Câmeras registram movimentações, sensores identificam alterações no ambiente, sistemas de controle de acesso registram entradas e saídas e alarmes apontam eventos que precisam ser avaliados. Quando esses dados permanecem isolados ou chegam à equipe sem contexto, o volume de informação pode dificultar a identificação do que realmente exige atenção.
É nesse ponto que entra o monitoramento inteligente. Recursos como análise de vídeo e inteligência artificial avaliam as informações captadas pelos equipamentos de segurança de acordo com parâmetros previamente definidos. Em vez de depender apenas da observação contínua das imagens, a equipe pode receber um alerta quando uma situação compatível com os critérios estabelecidos for identificada.
Uma câmera, por exemplo, pode ser configurada para reconhecer a presença de uma pessoa em uma área restrita, o cruzamento de uma linha virtual ou a permanência em determinado local acima de um período estabelecido. O sistema não substitui a avaliação da equipe. Ele direciona a atenção para eventos que precisam ser verificados, reduzindo o tempo gasto com situações que não correspondem ao risco monitorado.
Menos ruído para identificar o que realmente importa
Em uma central de monitoramento, nem todo alerta representa uma situação que exige intervenção. Em uma área externa, por exemplo, mudanças de iluminação ou movimentações do próprio ambiente podem gerar detecções. Se todos esses eventos forem tratados da mesma maneira, a equipe pode gastar tempo verificando ocorrências que não correspondem aos critérios de risco definidos para aquele local.
A análise inteligente permite estabelecer parâmetros específicos para cada ambiente e priorizar os eventos que correspondem aos critérios definidos pela operação. Com isso, a equipe recebe informações mais aderentes ao contexto que precisa monitorar e pode concentrar a avaliação nas ocorrências que realmente exigem verificação.
Essa evolução acompanha uma mudança na forma como a segurança física vem sendo utilizada pelas organizações. O State of Physical Security 2026, da Genetec, baseado em respostas de 7.368 profissionais de segurança física, aponta que mais de 70% dos entrevistados utilizam sistemas unificados e integrados. O levantamento mostra ainda que 60% apontam a integração de novos recursos como a principal motivação para substituir tecnologias legadas.
Na indústria, identificar uma condição de risco faz diferença
Em ambientes industriais, determinadas situações podem afetar simultaneamente a segurança das pessoas e a continuidade da produção. Uma atividade realizada fora do escopo previsto, a entrada em uma área crítica ou uma condição inadequada de trabalho pode exigir intervenção antes que o problema provoque consequências.
Um exemplo é o Projeto Pulsar 4.0, desenvolvido pela Avantia para a BAT Brasil. A iniciativa utiliza inteligência artificial para apoiar a identificação de situações relacionadas ao uso de equipamentos de proteção individual, à prevenção de quedas e ao monitoramento de áreas críticas. A solução integra dados em tempo real para apoiar a tomada de decisão na operação.
Na prática, o sistema analisa as imagens captadas no ambiente e identifica condições previamente estabelecidas como relevantes para a segurança. Quando uma situação compatível com esses parâmetros é detectada, o evento pode ser encaminhado para avaliação da equipe responsável. A tecnologia atua, assim, como uma camada de apoio ao processo de segurança, ajudando a identificar uma condição enquanto ela acontece e permitindo que o protocolo definido pela empresa seja acionado.
Quando os sistemas conversam, a ocorrência ganha contexto
Uma ocorrência em uma operação crítica pode envolver mais de um sistema. Uma alteração no perímetro pode exigir a consulta ao controle de acesso. Uma movimentação em uma área restrita pode precisar ser relacionada ao horário ou à autorização de entrada. Um evento em determinado setor também pode afetar uma atividade que depende daquela área para continuar funcionando.
Quando essas informações estão separadas, a equipe precisa reuni-las manualmente. A integração permite relacionar os eventos e facilitar a compreensão do cenário, dando à operação condições de avaliar não apenas onde uma ocorrência aconteceu, mas também quais processos podem estar envolvidos.
Essa conexão funciona a partir da integração entre diferentes recursos de segurança e monitoramento. As informações geradas por câmeras, controle de acesso, alarmes e outros dispositivos podem ser centralizadas de acordo com a arquitetura definida para cada operação. Com os sistemas conectados, um evento identificado em um equipamento pode ser relacionado a outras informações disponíveis, ajudando a equipe a compreender a ocorrência antes de definir a resposta.
Dados também podem revelar gargalos operacionais
A análise de dados também pode ser aplicada a processos nos quais o desafio está no tempo necessário para executar determinada atividade. Em uma operação aeroportuária, por exemplo, o período em que uma aeronave permanece em solo reúne diferentes tarefas que precisam ocorrer dentro de uma janela operacional. Acompanhar esses movimentos permite identificar como esse tempo está sendo utilizado e otimizar possível lacunas.
Foi nesse contexto que a Avantia desenvolveu para a Azul Linhas Aéreas a solução WeSafer On-Time Performance, baseada em inteligência artificial e visão computacional. A ferramenta utiliza câmeras, equipamentos de rede, algoritmos de IA e recursos em nuvem para identificar tempos e movimentos das aeronaves durante o turnaround, período em que a aeronave permanece em solo entre a chegada e a próxima partida. Durante o projeto, foram registrados mais de 200 mil eventos ao redor das aeronaves e mais de 15 mil operações de turnaround.
A solução analisa as imagens captadas durante as operações em solo, identifica eventos e movimentos previamente definidos e transforma essas informações em dados que podem ser acompanhados pela operação. Com esses registros, a empresa consegue analisar o processo de forma estruturada e investigar diferenças de tempo, etapas que demandam maior atenção ou situações que podem comprometer a janela operacional.
Antecipar é ganhar tempo
Reduzir o impacto das interrupções envolve mais do que instalar novas tecnologias. É preciso entender onde uma ocorrência pode comprometer a operação, estabelecer quais sinais devem ser acompanhados e criar uma resposta compatível com cada situação.
O Intelligent Industrial Operations Outlook 2026, do World Economic Forum, mostra o avanço de operações industriais mais inteligentes e conectadas, nas quais tecnologias digitais são incorporadas às atividades e utilizadas para apoiar decisões e aperfeiçoar processos.
Quando segurança física, monitoramento inteligente e integração de sistemas estão associados aos processos da empresa, os dados produzidos durante a operação podem ajudar a identificar desvios, contextualizar ocorrências e direcionar a atuação das equipes. Quanto menor a distância entre a identificação de uma alteração e a ação necessária, maior a possibilidade de limitar seus efeitos sobre o negócio.
Sua operação não pode esperar o risco acontecer.
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