Pesquisa da Avantia mostra o avanço da inteligência artificial nas operações de segurança e os desafios para transformar tecnologia em aplicação prática.
Uma câmera pode registrar uma ocorrência. Um sistema de controle de acesso pode identificar uma entrada. Um sensor pode apontar uma alteração no ambiente. O desafio surge quando essas informações se multiplicam e precisam ser avaliadas rapidamente.
É nesse cenário que a inteligência artificial começa a mudar a segurança eletrônica. Ao analisar imagens, reconhecer padrões e identificar eventos previamente definidos, a tecnologia pode direcionar a atenção das equipes para situações que exigem verificação e ainda atuar de forma estratégica: fornecendo dados que podem se transformar em inteligência operacional.
A segunda edição da Pesquisa de Mercado da Avantia, realizada com 55 organizações entre 6 e 24 de julho de 2026, mostra que essa transformação já entrou no planejamento das empresas.

Os resultados mostram um mercado que já discute menos se deve adotar IA e mais como incorporá-la de maneira adequada às necessidades de cada operação. É nessa passagem entre tecnologia disponível e aplicação prática que surgem os principais desafios.
Quando a câmera passa a identificar o que merece atenção
Em um canteiro de obras, acompanhar dezenas de trabalhadores e o uso de equipamentos de proteção individual exigiria diversas pessoas supervisionando cada movimento. Contudo, a atividade é necessária para prevenção de acidentes. Em um aeroporto, detectar aumento de fluxo repentino, objetos abandonados, acesso de civis em áreas restritas pode ser crucial para evitar imprevistos, atrasos e incidentes.
Com inteligência artificial, um sistema pode analisar imagens a partir de critérios definidos por cada operação e sinalizar situações específicas. As equipes deixam de depender exclusivamente da observação contínua e passam a concentrar sua atenção nas ocorrências que precisam ser verificadas.
Entre as aplicações apontadas pela pesquisa estão vídeo analytics e detecção automática de eventos, reconhecimento facial e biometria, monitoramento perimetral e controle de acesso. Imagine, por exemplo, uma área externa de uma indústria restrita durante a madrugada. Ao identificar uma movimentação em uma região previamente delimitada, o sistema pode gerar um alerta para que a equipe verifique a ocorrência e siga o procedimento definido para aquele ambiente.
A tecnologia, nesse caso, não substitui a análise profissional. Ela permite que o trabalho humano comece a partir de uma informação já filtrada.
O desafio de fazer os sistemas trabalharem juntos
A adoção da IA também coloca em evidência uma questão estrutural: operações de segurança podem reunir câmeras, sensores, controles de acesso e plataformas de diferentes fabricantes e gerações.
Na pesquisa da Avantia, a integração com sistemas existentes aparece como o principal obstáculo para ampliar o uso da tecnologia. Quando os recursos não conseguem compartilhar informações de maneira adequada, parte do potencial de uma ocorrência pode permanecer isolada em diferentes plataformas.
O cenário ganha outra dimensão em ambientes industriais. Um estudo da Cisco, empresa global de tecnologia especializada em redes, segurança e infraestrutura digital, mostra que 66% das organizações brasileiras pesquisadas já utilizam IA em operações industriais em tempo real, enquanto 86% planejam aumentar os investimentos em tecnologia. O levantamento também destaca a importância da infraestrutura de rede, da segurança e da colaboração entre Tecnologia da Informação (TI) e Tecnologia Operacional (TO) para ampliar essas aplicações.
A tecnologia precisa começar pelo risco
Com tantas possibilidades disponíveis, escolher uma solução apenas porque ela incorpora IA pode levar a investimentos elevados e pouco conectados à realidade da operação.
Uma indústria com inúmeros processos padronizados ou grandes áreas externas pode ter necessidades diferentes de um ambiente com intenso fluxo de pessoas ou de uma central que recebe grande volume de ocorrências. Por isso, o ponto de partida deve ser o processo que precisa ser acompanhado e o risco que precisa ser controlado
Antes da implantação, é necessário definir o que a tecnologia deverá identificar, quem receberá essa informação e qual procedimento será adotado a partir dela. A inteligência artificial passa, assim, a fazer parte de uma estratégia de segurança, e não apenas de uma escolha tecnológica.
Arquitetura para transformar tecnologia em resposta
É nessa etapa que a arquitetura de segurança ganha importância. A Avantia projeta e integra arquiteturas de segurança eletrônica alinhadas aos riscos, fluxos e características de cada operação, combinando videomonitoramento inteligente, controle de acesso, análise de vídeo e outras tecnologias.
A proposta é conectar os diferentes recursos de acordo com as necessidades de cada ambiente, permitindo que a infraestrutura de segurança acompanhe a dinâmica da operação.
O avanço da IA na segurança eletrônica não será definido pela quantidade de ferramentas instaladas, mas pela capacidade de aplicá-las de forma coerente com os riscos e processos de cada organização e pelos resultados que ela pode oferecer.
Porque, na segurança, enxergar mais só faz sentido quando eventos isolados se transformam em informação estratégica e se concretizam em ações..
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